As 5 piores brigas que marcaram a história da Champions

A história da Champions League, infelizmente, não é livre de grandes brigas entre torcidas rivais, ou mesmo entre jogadores. Essas situações lamentáveis, que não deveriam ter vez em campo ou nas arquibancadas, devem ser conhecidas e lembradas, para que no futuro tais acontecimentos possam ser evitados e contidos a tempo.

Apesar do endurecimento das leis e das melhorias em relação à segurança que foram introduzidas nos últimos 30 anos, ainda não foi possível eliminar essas batalhas nada gloriosas que mancham o esporte.

As Piores Brigas na Champions League

Selecionamos algumas das maiores e mais vergonhosas brigas da história da Champions e dividimos com vocês a tristeza de ver um campeonato tão bonito e amado se tornar uma guerra nas mãos de pessoas que não respeitam ou compreendem a essência da paixão pelo futebol.

Ajax E AEK Atenas – 2018

A primeira menção desonrosa da lista vai para a briga protagonizada pela torcida do Ajax e do AEK Atenas. 2018 foi um ano cheio de violência no futebol europeu, que viu até o presidente do PAOK Salónica entrar em campo com pistola na cintura durante um jogo da liga grega. E a Champions não saiu ilesa!

As torcidas de ambos times começaram a armar uma briga via redes sociais, dias antes da partida a ser disputada na capital grega. Com a chegada dos torcedores do Ajax à Atenas, o negócio ficou feio. Os holandeses se juntaram aos torcedores do Cracóvia e do Panathianakos e foram visitar os torcedores rivais no bairro mais emblemático do AEK, assim, como quer não quer nada.

Com isso, a madrugada anterior ao jogo ficou marcada pela guerra entre as torcidas, com direito a coquetel molotov e tudo. Confira no vídeo as deploráveis cenas.

Durante o jogo, a situação voltou a ficar crítica. Os torcedores do AEK atiraram sinalizadores contra o setor onde os visitantes estavam, e os holandeses do Ajax começaram a agredir os gregos que estavam mais próximos. O confronto foi feio, duraram cerca de 15 minutos de muita pancadaria e só acabou porque a polícia mandou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para todo lado.

O jogo acabou com vitória do Ajax por 2 a 0, 15 pessoas hospitalizadas, e multas para ambos os times.

Barcelona e PSV Eindhoven – 2018

Mais um episódio deprimente que aconteceu ano passado. Faltando uma hora para o início da partida entre o Barça e o PSV, um grupo de torcedores do time holandês começou a provocação contra um grupo de ultras do Barcelona, na região próxima ao Camp Nou.

Os catalães não deixaram barato e responderam no braço. Um holandês foi atacado com um cassetete, as cadeiras dos bares próximos viraram armas e sinalizadores foram lançados por torcedores. Mais cenas dignas de filme apocalíptico.

A polícia interviu e, por incrível que pareça, apenas um torcedor – do Barcelona – foi preso. Se noticiou também apenas um hospitalizado, o holandês que aparece no vídeo sendo vítima de violência incluso quando já estava caído no chão. Mas as imagens da saída dos torcedores após a partida mostravam que vários holandeses e espanhóis tinham ferimentos no rosto e nas mãos.

O jogo, apesar disso, foi bonito. Terminou com a vitória do Barça por goleada, com o placar de 4 a 0.

Legia e Real Madrid – 2016

A pancadaria fechou entre a Polícia Nacional espanhola e os torcedores do time polonês, às portas do estádio Santiago Bernabeu, onde rolaria a terceira rodada da fase de grupos.

A briga começou quando o ônibus do Legia entrava no estádio. Alguns torcedores começaram a tumultuar, obrigando a polícia a abrir caminho e distribuir alguns sopapos. Nesse momento, 5 torcedores tiveram ferimentos leves.

Mas, não parou por aí! Enquanto o Madrid goleava o Legia – o resultado final foi 5 a 1 – aproximadamente 500 torcedores do Legia que haviam ido para a capital espanhola acompanhar seu time sem haver comprado entradas para a partida voltaram a iniciar o tumulto na zona ao redor do estádio.

Tudo começou com demonstrações bonitas de amor à equipe. Os torcedores cantavam durante a caminhada até o estádio, acompanhados de perto pela polícia. Mas os ultras do Legia são conhecidos por ser uma das torcidas mais violentas da Europa, e a polícia – antecipando os problemas – decidiu formar um cordão de contenção ao redor do estádio. Foi suficiente para desatar a selvageria.

Os torcedores, inconformados, atacaram os policiais com garrafas, pedras e até com as barreiras que estava sendo usadas para a contenção. A polícia desceu a borracha, a cavalaria entrou no meio e o enfrentamento deixou um saldo de três policiais e nove torcedores hospitalizados. Além disso, um outro grupo de torcedores do time polonês arranjou briga com espanhóis ao agredir duas garçonetes em um bar próximo e tentar roubar a caixa registradora do local. Puro vexame. No total, foram 13 presos.

O jogo de volta, em Varsóvia, foi realizado sem a presença da torcida, como punição.

Valencia e Inter de Milão – 2007

Em 2007, o clima estava quente na Champions League. O Inter de Milão buscava desesperadamente a vaga nas quartas de final, necessitando a vitória após o empate com o Valência no jogo de ida, que terminou em 2 a 2.

Tristemente, o que marcou o jogo não foi um futebol bonito: foi a briga selvagem dentro de campo, que aconteceu após o fim dele. Os ânimos esquentaram nos minutos finais, quando Marchena, Burdisso, Ayala e Materazzi se chocaram numa tentativa de cabeceada. Por segundos parecia que ficaria por ali, no bate-boca. O apito final veio na sequência, marcando a entrada do Valencia nas quartas.

Mas, de repente, começou a confusão da cabeceada virou quebra-pau em campo. Marchena resolveu dar um chute em Nicolas Burdisso, que quis revidar e teve que ser contido pelos companheiros de equipe. A loucura se desatou quando David Navarro, que estava no banco e nem tinha nada o que ver com o assunto entrou na briga e acertou um soco na cara de Burdisso. E saiu correndo! Os jogadores do Inter correram atrás e bem…. As imagens estão aí e falam por si só.

O resultado final foi a suspensão de Navarro e Marchena do Valencia e Nicolás Burdisso – que teve o nariz fraturado pelo soco que levou, Julio Cruz e Ivan Córdoba do Inter. Além de uma multa salgada para ambos os times envolvidos.

Juventus e Liverpool – 1985 

O maior e mais infeliz episódio de violência da Champions é tristemente lembrado até hoje, 34 anos após o malfadado ocorrido.

As autoridades belgas, que recebiam o Liverpool em casa, já haviam previsto a possibilidade de confrontos, já que os hooligans – grupo de torcedores violentos – estavam a pleno vapor na época. Assim, foi proibida a venda de bebidas alcoólicas em locais próximos ao estádio, ninguém podia aceder ao mesmo sem revista, foram designadas áreas separadas para as torcidas e foram destacados 1500 policiais para cuidar da segurança.

No entanto, se noticiou que a proibição relacionada ao álcool não foi respeitada. E mais: a área norte do estádio foi compartilhada entre os torcedores dos dois times, separados apenas por barreiras e pobres cinco policiais.

Piores Brigas na Champions League

A tragédia de Heysel foi o maior episódio de violência da Champions League

Não deu outra. Meia hora antes do jogo os ingleses começaram a pancadaria, atacando os italianos que estavam próximos. Em desespero, os torcedores começaram a pressionar as grades na tentativa de fuga. Elas cederam e carregaram vários deles. Barras de ferro foram utilizadas pelos hooligans para massacrar os torcedores rivais. Na correria, várias pessoas foram pisoteadas e asfixiadas pela multidão.

Do outro lado, os torcedores da Juve se revoltaram ao ver o que acontecia e começaram a briga com os policiais, tentando pular as divisões e entrar em confronto com os ingleses. Um muro de contenção cedeu e arrastou com ele dezenas de pessoas.

A tragédia de Heysel

Foi um massacre. Trinta e nove pessoas foram mortas – a maioria, italianos –  e houveram mais de 600 feridos. A polícia belga, mesmo com seu grande contingente, não estava preparada para enfrentar uma situação que já era previsível: no ano anterior, os hooligans do Liverpool já haviam causado outro triste episódio contra o Roma, que resultou em dezenas de feridos. A atividade dos mesmos era conhecidíssima na Europa. Aquele ano já tinha sido palco de confrontos entre torcidas na Inglaterra, com várias mortes incluídas. Jornalistas que estavam presentes comentaram, anos depois, que a polícia belga sequer tinha como se comunicar, sem pilhas em seus walkie-talkies.

O pau comia solto na arquibancada. Haviam corpos cobertos com bandeiras em campo e pessoas sendo atendidas ali também. Mas a expectativa sobre o jogo era grande e a UEFA –em uma decisão muito controversa – decidiu manter a partida e o apito inicial soou. Jogadores da Juventus e do Liverpool foram obrigados a jogar, mas afirmam que não sabiam a dimensão do acontecimento, mas puderam ver que corpos eram retirados do estádio. A Juve terminou ganhando de 1 a 0 e conquistando seu primeiro título, mas havia muito pouco para comemorar.

Naquele dia, ninguém foi preso. O inquérito durou mais de 4 anos, e culminou com 25 jogadores condenados, assim como o chefe da polícia belga que comandava aquela noite fatídica. Os times da Inglaterra foram penalizados com 5 anos de proibição em participar dos campeonatos europeus. Ainda hoje os torcedores do Liverpool encaram o episódio com vergonha e pintam faixas onde perdem perdão aos fanáticos da Juve.

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